Um solo de Hammond para Jon Lord

Todo tecladista de rock pesado do mundo deve estar meio órfão hoje. Jon Lord, o mestre do órgão Hammond de tantos clássicos do Deep Purple, “passou da escuridão para a luz“. O maior tecladista  de rock de todos os tempos, que sofria de um câncer no pâncreas, morreu em Londres nesta segunda-feira, 16 de julho de 2012 -que triste notícia, três dias depois do Dia do Rock. Levei um susto quando vi o nome de Jon Lord entre os TT, os ‘trending topics’ do Twitter. É o jeito como as notícias se espalham hoje. Peguei o DVD da série Classic Albums sobre o discão “Machine Head” pra me ajudar a preparar este texto.

“Machine Head” (de 1972) é o sexto álbum de estúdio do Purple – o quarto com a chamada Mark II, a segunda formação da banda – Jon Lord participou de todas até se aposentar do grupo, em 2002. O documentário da série Classic Albums começa mencionando a divisão da banda quando da gravação com a Royal Philarmonic Orchestra do “Concerto for Group and Orchestra”, composto por Jon Lord, pouco depois da entrada da “silver voice” de Ian Gillan e do carismático baixista Roger Glover. Ian Paice, o batera que segue na banda até hoje, o único músico da formação original no Purple 2012, conta que o “Concerto” foi um trabalho de amor a Jon Lord. O genial e genioso Blackmore pode não ter curtido muito (não foi ele que inventou…), mas bem que tentou fazer algo parecido tempos depois, no Rainbow…

Dois anos depois de “Deep Purple In Rock” (a estreia para valer dessa formação com Gillan e Glover), “Machine Head” consolidou de vez a pesada e rápida marca registrada do Purple. Speed Kings! Highway Stars! Continuar lendo “Um solo de Hammond para Jon Lord”

Primal Scream | Screamadelica Live, em Blu-Ray e DVD

26 de novembro de 2010. No Olympia Grand Hall de Londres, o Primal Scream toca ao vivo pela primeira vez na íntegra o discão “Screamadelica“. Bobby Gillepsie, Andrew Innes, Mani, Martin Duffy, Darrim Mooney e Barrie Cadogan contam ainda com Mary Pearce (excelente backing vocalista), James Hunt (sax/flauta), Simon Finch e Nicol Thomson (metais) e um coral gospel.

Showzaço de abertura da turnê que comemorou os 20 anos de lançamento de “Screamadelica” – e que passou pelo Brasil, sem a mesma produção, em 2011 (eu vi em Sampa – confira os meus pitacos). O concerto de Londres está dispónível em DVD e Blu-Ray. A minha edição é um 2 disc-set (1 Blu-Ray + 1 CD), editado no Brasil pela ST2. Tem o show “Screamadelica Live” todo, mais um eletrizante ‘rock´n´roll set’ e o documentário da excelente série Classic Albums em vídeo, mais um CD só com com as músicas do “Screamadelica” ao vivo no Olympia Grand Hall londrino. Valeu muito a pena!

A parte “Screamadelica” do show começa como o disco de 1991: “Movin´On Up”, “Slip Inside This House” e “Don´t Fight It, Fall It” – três golaços do Primal Scream, um hat-trick, um triplete. A vocalista de apoio (e que apoio) Mary Pearce arrasa em “Don´t Fight It, Fall It”, a favorita da Coluna. Perfeito mix entre a guitarra e o clima de rave que o Primal Scream sintonizou com seus produtores, em 91. Depois, a “stoneana” e emotiva “Damaged” – no fim dessa balada, aparece uma moça enxugando as lágrimas. Em seguida, “I´m Coming Down”, em grande forma. Mais balada cheia de alma: “Shine Like Stars”. “Inner Flight” tem coral gospel e flauta.

“Higher Than The Sun” parece etérea até entrar um batidão trip  hop. Mais um golaço do Primal Scream.

Ponto alto do show: “Loaded”, o primeiro dos quatro singles do disco homenageado. O sample da voz de Henry Fonda já provoca um frisson na plateia do Olympia Grand Hall. Tem uns corinhos “Woo woo” bem ‘stoneanos’ + coral gospel, slide guitar + piano + metais. Clássico!  Confira no vídeo abaixo.

O tributo ao discão “Screamadelica” termina com “Come Together” e mais um show da Mary Pearce. Com esse álbum, os escoceses deixaram de tocar para 200 pessoas e criaram um marco, mixando rock carregado de guitarras e música para dançar nas pistas. Mas o Primal Scream não para por aí. Manda um ‘rock´n´roll set’ com alguns dos seus hits mais pesados: Continuar lendo “Primal Scream | Screamadelica Live, em Blu-Ray e DVD”

Primal Scream | Screamadelica

Publicado em 27/07 e atualizado em 30/07/2011

O discão Screamadelica completa 20 anos de pistas em 23 de setembro. E o Primal Scream faz a festa no Brasil! Na sexta, 23, o show é no Rio (Circo Voador). No dia 24/9, a banda toca no festival Popload Gig 7, no HSBC Brasil, em São Paulo. Os ingressos já estâo à venda, na internet, por telefone ou nas bilheterias da casa.

O blog Volume, do portal Clic RBS, informou que o Primal Scream também levara o show do Screamadelica para Porto Alegre. 26 de setembro, no Opinião. Boa!

Enquanto isso, duas sugestões de DVDs que bem poderiam ser lançados no Brasil:

  • Screamadelica Live, o da capinha ao lado. É dele a versão de Loaded no vídeo acima.
  • um doc da série Classic Albums sobre o discão do Primal Scream que botou o rock na pista em 1991 (capinha dentro do post)

Lá fora, ambos foram lançados pela Eagle Rock. Será que pintam aqui? Tomara!
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Ace of Spades. 30 anos do discão do Motörhead.


8 de novembro. 30 anos de um clássico do Motörhead, padrinhos do thrash metal. Metal + punk. Nem aí pro visual. Ace of Spades já começa com o arrasa-quarteirão que batiza o quarto disco do trio (Ace Of Spades também tinha saído em single, pouco antes do álbum). A formação clássica do início da banda (o carismático baixista e vocalista Lemmy, mais Fast Eddie Clarke, guitarrista dos bons, e Philty Animal Taylor, batera que faz jus ao apelido) também mandava outros petardos que figuram até hoje nos shows do Motör…, como (We Are) The Roadie Crew The Chase Is Better Than the Catch. Continuar lendo “Ace of Spades. 30 anos do discão do Motörhead.”

Classic Albums: Jimi Hendrix/Electric Ladyland

Neste 18 de setembro, em que lembramos os 40 anos da morte de Jimi Hendrix, o assunto da Coluna é o DVD da série Classic Albums dedicado ao discão Electric Ladyland – o último de estúdio do Jimi Hendrix Experience. No documentário, dá para perceber que havia muita tensão nos estúdios. Noel Redding, baixista do Experience, era guitarrista antes. E não esconde no doc suas insatisfações (o próprio Jimi e John Casady tocaram baixo em algumas faixas). Bem ou mal, uma canção composta e cantada por Noel Redding, Little Miss Strange entrou em Electric. Continuar lendo “Classic Albums: Jimi Hendrix/Electric Ladyland”

Classic Albums: “Paranoid”

Publicado em agosto de 2010
Chegou às lojas brasileiras (via ST2) o DVD da série Classic Albums sobre o segundo trabalho do bom e velho Black Sabbath, Paranoid, de 1970 – lançado apenas 6 meses depois da estreia do quarteto de Aston, Birmingham. Paranoid (gravado e mixado em apenas cinco dias) é um discão essencial da história do heavy metal, que completa 40 anos em 18 de setembro. Ozzy, Iommi, Geezer e Bill Ward participam do documentário, com depoimentos (dados separadamente) e demonstrações. E em cenas de arquivo, como as do festival California Jam de 1974 e do vídeo Never Say Die-A Decade of Black Sabbath, de 1978.
O DVD sobre Paranoid segue o alto padrão dos documentários das série Classic Albums, lançados lá fora pela Eagle Rock, aqui pela ST2. Músicos, produtores e jornalistas falam rapidamente sobre a história do artista em questão e praticamente dissecam o álbum, faixa a faixa. A gente fica sabendo que o nome do disco era para ser War Pigs, desejo da banda – mas a gravadora vetou. Precisavam de um single, uma música mais curta? Toca pro estúdio Regent, em Londres, para gravar Paranoid.  Levou a banda pro topo das paradas. Virou clássico. Continuar lendo “Classic Albums: “Paranoid””

Metal britânico: 30 anos de 2 discões

Que grande ano foi 1980 para o rock pesado! Só em 14 de abril saíram dois clássicos: British Steel, sexto de estúdio do Judas Priest, que comandou da sabbathica e industrial Birmingham a revolução metálica, ajudando a definir o gênero, eIron Maiden, primeiro LP do quinteto da zona leste de Londres que capitaneou a nova onda do metal pesado britânico (NWOBHM), com Paul Di´Anno no vocal. Já é trintona a New Wave of British Heavy Metal, couro e tachinhas incluídos, cortesia das visitas secretas de Rob Halford a sex shops (ele ainda não tinha saído do armário publicamente). “Breaking the Law“, “Rapid Fire”, “Metal Gods”, “Grinder”, “United”, “Living After Midnight” …  British Steel é toda uma coleção de grandes riffs de guitarra, refrões pegajosos e solos cortantes – no formato de guitarras gêmeas usado antes por Thin Lizzy e Wishbone Ash, mas consagrado de vez por Glen Tipton e KK Downing como o melhor formato da bandas de heavy metal. Heavy metal, mesmo, sem vergonha nenhuma disso.  O duo de guitarristas dá uma aula no DVD da série Classic Albums dedicado ao British Steel. Dos melhores das série, o programa conta com rico arquivo,  depoimentos do produtor Tom Allom, do baixista Ian Hill e do vocalista Rob Halford, que na época do documentário estava afastado da banda. Este clássico eterno do metal foi gravado numa mansão que era de Ringo Starr, e havia pertencido a Lennon (Tittenhurst Park). Eta casa pé quente! Sobre a estreia do Iron Maiden…

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Destacado

Classic Albums/”Nevermind”

Festival Nirvana aqui na Coluna de Música. Kurt Cobain não gostava muito do banho de estúdio que o produtor Butch Vig deu no som sujo, punk, hardcore e até metálico ouvido no disco anterior Bleach. Mas Nevermind, estreia da banda na major DGC/Geffen, hoje da Universal Music , é um discaço. Quase um greatest hits. Rendeu quatro singles – Smells Like Teen Spirit, Come As You Are, LithiumIn Bloom – e um dos melhores programas da série Classic Albums, já lançado em DVD no Brasil pela ST2. Ainda que o personagem principal não estivesse mais no planeta rock para contar a história. De volta à mesa de som do estúdio Sound City, em Los Angeles, o produtor Butch Vig (batera do Garbage)  disseca faixa por faixa – quase que canal por canal. Revela que para gravar as mesmas partes de voz ou guitarra várias vezes, depois sobrepostas, dizia a Kurt que o ídolo John Lennon fazia isso também. Como Cobain adorava Beatles, caiu direitinho na conversa…
De outro lado, o crítico Charles R Cross (fez um trio livros sobre Kurt e Nirvana) examina as letras. Há depoimentos ainda dos outros dois terços da banda: Dave Grohl (que fala do método de Kurt: primeiro, a melodia; depois, as letras), e Krist Novoselic; Jack Endino (produtor de “Bleach”), gente das gravadoras Sub Pop e DGC, roqueiros (Sonic Youth) e jornalistas – o costumeiro padrão da série Classic Albums. E um ótimo material de arquivo. Trechos dos clips e… raridades do Nirvana ao vivo!
Principal biógrafo de Kurt Cobain, Charles R Cross  repara que “Lithium” tem o nome de remédio antidepressivo, mas nos shows, era uma das músicas mais dançadas pelos fãs. Acabou virando momento alto astral. Nevermind, um grito de socorro, vendeu milhões. Continuar lendo “Classic Albums/”Nevermind””

“Classic Albums”

Você já deve conhecer esta interessante série de documentários produzida pela Eagle Rock sobre discos clássicos. Nirvana, Pink Floyd, U2, Queen, The Who, Hendrix, Marley, Deep Purple, Judas Priest, entre outros, tiveram álbuns essenciais esmiuçados quase que faixa a faixa. Passou na TV a cabo e há vários exemplares em DVD nas lojas (no Brasil, são lançados pela ST2). Aos poucos, vamos lembrar de alguns desses docs -e os discões que os motivaram-aqui na Coluna. Aproveitando o embalo do post abaixo, revi o DVD da série Classic Albums que documenta (anos depois) The Number of the Beast, com depoimento dos integrantes do então quinteto, do produtor Martin Birch, de Dave Mustaine, do Megadeth, de jornalistas. E o então batera da banda francesa Trust, Nicko Mc Brain, faz uma ponta, confessando que foi recrutado para se fantasiar fantasiado de diabo, na turnê The Beast on the Road. Que mico! Hahaha! Logo depois de Number, o simpático Nicko entraria na banda, no lugar do espetacular batera Clive Burr (num dos extras, há uma mensagem em que Burr fala da doença que o afeta, esclerose múltipla; ele tem uma fundação, Clive Aid). Em outro extra, Steve Harris explica a origem do apelido de Bruce Dickinson. Uma carta de fã indignado numa revista comparou o vocalista à uma “sirene de ataque aéreo”. E o que era uma referência pejorativo à Bruce, acabou virando apelido, graças a uma “ajudinha” do empresário Rod Smallwood.