Um solo para Stevie Ray Vaughan

Nariz de cera: fui apresentado ao som lancinante do texano Stevie Ray Vaughan por um amigo de faculdade, fanático por música e futebol, torcedor do Fluminense e simpatizante do Benfica e do futebol total da Holanda#74. Baixista da formação inicial do Picassos Falsos… fã de guitarristas como Jimi Hendrix e Pete Townshend, o amigo me emprestou uma fita K7 com sons de um guitarrista mantido em sigilo (tipo brincadeira de cabra cega musical). Fiquei chapado! Tinha algo de Hendrix, mas era diferente. Era… Stevie Ray Vaughan! Valeu Caíque! Onde quer que você esteja, tenho certeza, estará vendo futebol e ouvindo SRV, Hendrix, Who, soul, funk etc.
Poucos anos depois, começava minha vida profissional, quando na tardinha de 27 de agosto de 1990 fui surpreendido por uma notícia de agência internacional (via telex ainda? Provavelmente).  Stevie Ray Vaughan estava morto, com apenas 35 anos, num terrível acidente de helicóptero, depois de um show. Outras quatro pessoas morreram (olha que o prejuízo para o mundo da música e do blues poderia ter sido ainda maior, já que Eric Clapton, Buddy Guy, Robert Cray e o irmão de Stevie, Jimmie, participaram do último concerto de SRV). Fiquei desnorteado. Tinha acabado de comprar meu primeiro CD do branco de voz rouca que revolucionou a guitarra blues,  Live Alive. Aliás, atamente recomendado.
In the Beginning, o discão cuja capinha ilustra este post, é um lançamento póstumo que realmente vale a pena. Foi gravado ao vivo por uma rádio na Austin natal de Stevie, em abril de 1990 – portanto, antes do arrasador disco de estreia de SRV e do Double Trouble, Texas Flood – e lançado em 1992.
Já estavam no set-list canções de Texas Flood, como a alucinada Love Struck Baby e  as covers de Tell Me, de Howlin´Wolf, e da balada bluesy Tin Pan Alley, de Robert Geddins. Mais covers? A instrumental In The Open, de Sonny Thompson e Freddie King, uma das referências de SRV, abrindo o disco cheio de shuffle, a levada maravilhosa de Stevie. They Call Me Guitar Hurricane, de Eddie Jones.  Shake for Me, de Willie Dixon. E uma das minhas favoritas: All Your Love (I Miss Loving), melô de Otis Rush, um dos ídolos de Vaughan. Adoro! Também foi regravada pelos Bluesbreakers de John Mayall, Gary Moore e Aerosmith (faixa inédita que apareceu na caixa Pandora´s Box). Já pro som do carro e aparelho de MP3!
Slide Thing, certamente jogo de palavras de SRV com Wild Thing, tornada clássica por Hendrix, é aula de guitarra slide (tubinho deslizando sobre o braço). Ainda tem lição de pedal wah-wah, bending, vibrando as cordas. Discão! Existe Guitar Hero ou Rock Band com sons de Stevie Ray Vaughan? Seria uma boa.
PARTICIPE: Qual é o seu disco favorito de Stevie Ray Vaughan? Aqui, você pode ouvir trechinhos de In the Beginning.

9 comentários sobre “Um solo para Stevie Ray Vaughan

  1. O meu guitarrista favorito dos ultimos 20 anos, gênio ! Uma pena para o Blues ele ter morrido tão cedo, estava jogando uma forte luz no estilo.

    Você sabia que ele tinha acabado de assinar um contrato para 4 shows no Brasil pouco antes de sua morte ? O Wladimir, que era o administrador do Pacaembu (aonde ele iria tocar) queria fazer o “Pacaemblues” com ele de atração principal !

    Pride and Joy, Litte Wing, Lenny, Tin Pan Alley, Stangs Swang, Texas Flood, Rude Mood, Life by the Drop, Riviera Paradise….tanta coisa boa..

    Belo post e bela homenagem João, vou escutar Stevie Ray hoje em homenagem ! E como 20 anos passam rápido…

    Saudações !

    1. Valeu, Serginho! Sim, já ouvi essa história!
      Já imaginou? Pacaemblues! Wladimir sobe ainda mais no meu conceito.

  2. Considero todo dia 27 de agosto o dia em que a musica morreu. Descobri a genialidade de Stevie Ray Vaughan em 1989, e desde então é o meu guitarrista preferido.

  3. Cara, o que é mais maluco é que o SRV estava de carona num dos dois helicópteros alugados pelo Eric Clapton para transportar a troupe do show. Eles haviam tocado juntos naquela noite. Clapton, Buddy Guy, Robert Cray e o irmão de Stevie, Jimmie, foram num aparelho e chegaram ao destino. SRV e os outros quatro ficaram pelo caminho.

    Abraços

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