Metal britânico: 30 anos de 2 discões

Que grande ano foi 1980 para o rock pesado! Só em 14 de abril saíram dois clássicos: British Steel, sexto de estúdio do Judas Priest, que comandou da sabbathica e industrial Birmingham a revolução metálica, ajudando a definir o gênero, eIron Maiden, primeiro LP do quinteto da zona leste de Londres que capitaneou a nova onda do metal pesado britânico (NWOBHM), com Paul Di´Anno no vocal. Já é trintona a New Wave of British Heavy Metal, couro e tachinhas incluídos, cortesia das visitas secretas de Rob Halford a sex shops (ele ainda não tinha saído do armário publicamente). “Breaking the Law“, “Rapid Fire”, “Metal Gods”, “Grinder”, “United”, “Living After Midnight” …  British Steel é toda uma coleção de grandes riffs de guitarra, refrões pegajosos e solos cortantes – no formato de guitarras gêmeas usado antes por Thin Lizzy e Wishbone Ash, mas consagrado de vez por Glen Tipton e KK Downing como o melhor formato da bandas de heavy metal. Heavy metal, mesmo, sem vergonha nenhuma disso.  O duo de guitarristas dá uma aula no DVD da série Classic Albums dedicado ao British Steel. Dos melhores das série, o programa conta com rico arquivo,  depoimentos do produtor Tom Allom, do baixista Ian Hill e do vocalista Rob Halford, que na época do documentário estava afastado da banda. Este clássico eterno do metal foi gravado numa mansão que era de Ringo Starr, e havia pertencido a Lennon (Tittenhurst Park). Eta casa pé quente! Sobre a estreia do Iron Maiden…

The Soundhouse Tapes, o primeiro compacto:  Iron Maiden/Invasion, Prowler
The Soundhouse Tapes, o primeiro compacto: Iron Maiden/Invasion, Prowler

O Iron Maiden do baixista Steve Harris passou por umas seis formações até chegar à que gravou a demo tape, no finalzinho de 78, num estúdio perto de Cambridge, com o vocal Paul Di´Anno, um guitarrista só (Dave Murray) e o batera Doug Sampson, além de Harris. Os caras gastaram toda a grana na gravação e não puderam comprar o resultado final. Depois, quando voltaram com dinheiro para levar a fita equalizada, ela já tinha sido apagada. Harris e cia tiveram que se contentar com fita k7 não mixada com 4 músicas: Iron Maiden, Invasion, Prowler e Strange World. Quase um ano depois, as três primeiras foram lançadas num compacto bancado pela própria banda: “The Soundhouse Tapes”. Vendeu as 5 mil cópias, mas a lenda dizia que 15 mil unidades voaram, o que ajudou a banda a ser contratada pela EMI. NO DVD The Early Years, um executivo da gravadora na época diz que a EMI teve que escolher entre Iron Maiden e Def Leppard. Não dava para contratar os dois. Escolha certa.

Running Free/Burning Ambition, 1º single pela EMI
Running Free/Burning Ambition, 1º single pela EMI

Pouco antes da 1ª sessão de gravações para EMI, novas mudanças: saiu o batera Doug Sampson, entrou Clive Burr. E a guitarra de Dave Murray ganhou a companhia – ou a competição, algumas fontes dizem – de Dennis Stratton. “Running Free” foi a canção eleita para o segundo compacto do grupo, o primeiro pela EMI. Música tocada em shows de quase todas turnês posteriores. No lado B, “Burning Ambition” mostrou o interesse de Harris pelo rock progressivo.  O single superou as expectativas e pintou o convite para tocar “Running Free” na parada “Top of The Pops”, da TV inglesa. O que a BBC não imaginou é que a Donzela de Ferro fez questão de tocar ao vivo, sem playback, “ousadia” perpretada pelo The Who oito anos antes. Rock é rock mesmo. Essa performance  é um dos extras do já mencionado DVD The Early Years. Será que passa na compilação do “Top of the Pops”, no canal TCM, aos sábados?

Iron Maiden, o 1º álbum
Iron Maiden, o 1º álbum

Com essa arrepiante ilustração de Derek Riggs na capa, o primeiro álbum saiu em 14 de abril de 1980: Iron Maiden (clique para ouvir) abre já matando a pau, com o riff de “Prowler”. Além de “Running Free” e sua batida quase tribal, tem as baladas “Remember Tomorrow” (bem, balada até certo ponto) e “Strange World”. A força técnica de “Phantom of the Opera” (no roteiro da atual turnê, Somewhere Back in Time) e “Transylvania”. Na maioria das edições em CD, entra o ataque sonoro de “Sanctuary” (que foi poupada da primeira edição inglesa porque apareceu numa coletânea da EMI, “Metal for Muthas”). O disco fecha com os petardos “Charlotte the Harlot” e “Iron Maiden”. A produção  de Will Malone é criticada até hoje por Steve Harris. A formação tinha apenas seis semanas, fez só 11 shows antes e passou 13 dias de estúdio. Fonte: Infinite Dreams, livro de Dave Bowler e Bryan Dray. Mesmo assim, fez um clássico do metal, 4º lugar na parada inglesa.

Sanctuary/Drifter + I´ve Got the Fire
Sanctuary/Drifter + I´ve Got the Fire

O Maiden teve a sorte de pegar carona na turnê do Judas Priest que promoveu o clássico álbum metálico British Steel, aquele que tem Breaking the Law. Em 23 de maio de 1980, mais um compacto. De um lado, “Sanctuary”,  o alarme metálico de Harris, Di´Anno e Murray. No lado B, dois sons ao vivo: “Drifter”, usada por Di´Anno para interagir com a platéia (um “iô, iô, iô” bem diferente do The Police) e a cover “I´ve Got The Fire”, original do Montrose, grupo de Ronnie Montrose. Aliás, regravações seriam costumeiras em lados B de compactos do Iron. Que voltaria a regravar “I´ve Got The Fire” com Dickinson em 1983. O single atingiu o 29º lugar na Inglaterra. Na capa, a Eddie ataca a então primeira-ministra Margaret Tatcher Imagine a polêmica na época…

Women in Uniforme
Women in Uniform

Agosto de 1980. Desta vez, o Iron acompanha a turnê européia do Kiss. E se engana quem pensa que o grupo americano, já consagrado, deu uma de estrela para os roqueiros ingleses de primeira viagem. Gene Simmons chegou a oferecer equipamento numa ocasião em que o Maiden enfrentava problemas técnicos. Solidariedade roqueira.

O terceiro single lançado pela EMI em 27 de outubro de 80 traz desta vez uma cover como lado A: “Women in Uniform”, do grupo australiano Skyhooks. E mais Maggie Tatcher na capa. Desta vez, ela se prepara para atacar Eddie, que vem rodeado por duas mulheres… de uniforme! Estranhamente, essa música que não saiu em discos de estúdio mereceu o primeiro clip oficial do Iron. Aquele que aparece fantasiado de Eddie no vídeo é o Michael Kenney, técnico de baixo do Steve Harris, e hoje toca teclados na banda, sempre que é necessário.  Para o lado B, nova versão de “Invasion”, do compacto Soundhouse Tapes. E um som ao vivo: “Phantom of the Opera”. Esse compacto, 35º lugar, foi o canto de cisne de Dennis Stratton no Iron. Ele pode ser visto tocando ao vivo em vários capítulos do DVD The Early Years, como o vídeo caseiro no pub Ruskin e no filme da Granada TV. No finalzinho de 1980, o Maiden ganhou um novo guitarrista. Adrian Smith. TO BE CONTINUED…

19 comentários sobre “Metal britânico: 30 anos de 2 discões

  1. Acertou na mosca João, 2 discões ! Tem 2 das minhas favoritas do Maiden, Running Free e Phantom of the Opera e o British Steel é um clássico eterno do Rock ! Meu favorito do Judas. Um Disco que tem Breaking the Law, Metal Gods, Living After Midnight , não precisa falar mais nada.

    Abração !

  2. Os dois discos são fundamentais para a formação de um autêntico metaleiro. Não comprei quando sairam, era muito menino. Me lembro de chegar na Brenno Rossi do Barrashopping e sair com o novo do Iron, com cantor novo, The Number Of The Beast!

    1. André Bighinzoli, é um prazer receber a visita da banda Metalmorphose aqui na minha Coluna de Música!
      O primeiro Iron que comprei foi uma fita K7 (!) do Maiden Japan, um ao vivo tão sensacional que dá pena de ser apenas um mini-LP, tão curto, com 4 ou 5 músicas, dependendo da edição (na fitinha cassete, eram 5). Mas essa compra foi quase na época de sair o Piece of Mind, outro discaço. Se eu tivesse uma banda-cover do Iron, o nome seria Piece of Mind Cover e tocaria este álbum de cabo a rabo.
      Sonoro abração e boa sorte nas finais!

  3. A meu entender bandas como Sabbath/Purple/Zeppelin (Santissima trindade do hard rock/heavy metal); estes grupos não estariam no patamar em que estão. Blue Cheer, Vanilla Fudge tambem ajudaram a lançar as sementes.

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