Ele é um dos principais personagens do filme Uma Noite em 67, excelente documentário em cartaz nos cinemas. O time de coração de Chico Buarque está na ponta do Brasileirão, contratou Deco, Belletti, trouxe Washington de volta, manteve Conca e Fred - e ainda contou com o Dia do Fico de Muricy Ramalho. No oitavo DVD da série retrospectiva dirigida por Roberto de Oliveira, o cantor, compositor (e peladeiro nas horas vagas) Chico Buarque mostra sua paixão não só pelo tricolor, mas pelo futebol de modo geral. O nome do DVD é uma referência ao samba dedicado a Mané, Didi, Pagão, Pelé e Canhoteiro: O Futebol, de Chico Buarque, um dos camisas 10 da paquera futebol e música no Brasil. Ou melhor, camisa 9, de Pagão, ex-jogador do Santos, ídolo de Chico – que o encontra num dos capítulos do DVD (ele também vê Pelé, Ronaldinho Gaúcho e os veteranos do Santos – que ganham do Politheama em amistoso na Vila Belmiro. Politheama é o time de pelada de Chico, que herdou o nome de seu jogo de botão. Manda seus jogos no campo Vinicius de Moraes. E como diz o hino, cultiva a fama de jamais perder – fora amistosos. “Alguns empates”. Fala sério, Chico! E ele fala de uma maneira bem divertida de futebol, ao lembrar do Maracanazo de 1950 (tem áudio de gol narrado por Edson Leite), das idas ao Pacaembu… E ainda tem uma pá de músicas que de alguma maneira citam futebol, como Conversa de Botequim (Noel Rosa/Vadico), E o Juiz Apitou (Antonio Almeida/Wilson Batista) Doze Anos (com Moreira da Silva), Pelas Tabelas, Bom Tempo (com Toquinho) etc. Para estufar o filó, mesmo.
- Outra dica:a letra de O Futebol, esse clássico boleiro de Chico, é analisada quase verso por verso, na edição de julho da revista Língua Com sorte ainda por ser encontrada nas bancas. O artigo do professor João Jonas Veiga Sobral está na seção Obra Aberta da revista e pode ser lido aqui.
A música estreou no disco de 1989 do cantor e compositor tricolor. Dois anos depois, ganharia uma excelente versão do Quarteto em Cy, CD Chico em Cy.- A canção foi regravada também por Pedro Lima, no CD Futebol Musical Brasileiro Social Clube (ver post anterior).
- Mais músicas sobre futebol? Leia post sobre a dupla Música-Futebol, que rendeu pelo menos dois livros, o do Assis Ângelo e o do Beto Xavier.

Não vi a retrospectiva feita pelo Roberto de Oliveira, mas assisti ao documentário “Uma Noite em 67″. Achei excelente, mas senti falta de depoimentos de anônimos que viveram aquela época, de fãs que lotavam o teatro no festival. Por exemplo, eles citam o nome da Telé Cardim, minha ex-colega da TV Record, mas ela não aparece no filme. Telé era frequentadora assídua dos festivais. Chegou a viajar semi clandestinamente de avião de São Paulo para o Rio. O Jornal da Rercord fez uma série de matérias sobre os festivais há algum tempo e, numa delas, Telé conta essa e outras histórias. Assim como a ela, outros personagens dessa época poderiam ter sido ouvidos. De qualquer forma, vale a pena assistir. As entrevistas do Chico, Caetano, Gil, Mutantes e tantos outros são hilárias.
Abraço
O Solano Ribeiro também reclamou que deu uma entrevista de horas e horas e usaram só uma falinha, no começo do filme.
A gente que trabalha com redação sabe que às vezes isso acontece, por um motivo ou outro. Sempre fica faltando algo. Às vezes até em livro.
Um abraço, mano!
um filme sobre os festivais da record sem a telé cardim fica devendo muito. telé é a própria história viva dos festivaisao. porque os festivais nao foram só o palco, mas a plateia também. aliás, a plateia era tudo nos festivais. e como falar deles sem conversar com ela? faltou um personagem importante e, mais do que tudo, protagonista daqueles tempos: aqueles jovens universitários engajados e apaixonados. sem eles, nada daquilo teria sentido. o bom é que a bravo fez um excelente texto, assinado por nosso colega andré nigri, que deu o destaque que telé cardim merece nessa história. nem todos editam mal.